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Eu tinha doze anos quando vi um computador pela primeira vez fazendo algo que não fosse jogar. Meu primo tinha se mudado do Rio de Janeiroi pra Imbituba, Santa Catarina. Foi lá que tudo começou.

Um moleque do Rio vendo mágica numa tela

Fui visitar meu primo nas férias. Cheguei lá e o cara tinha virado web designer. Dois mil e dois. Ninguém sabia o que era web design. Quase ninguém tinha computador em casa.

Ele abriu o Fireworks, o Flash, o Dreamweaver. Fez um site na minha frente. Eu fiquei parado olhando aquilo e pensei: eu quero ser isso.

Fiquei dois meses lá. Quando voltei pro Rio, já falei pro meu pai: quero um computador, quero fazer sites. Meus pais não tinham grana. Mas meu pai deu um jeito — comprou no cheque, parcelado em mil vezes.

Foi nesse computador que eu instalei os programas que vi meu primo usando (peguei nas revistas que vinham com CD) e comecei a criar meus primeiros sites. Com doze anos.

E desde então, nunca mais parei. Passei a adolescência inteira criando site.

De professor a empresário (e de volta)

Com dezoito anos, comecei a dar aula de criação de sites em escolas profissionalizantes. Ganhava 600 reais por mês.

Aí fiz uma conta simples: eu ensinava os alunos a fazer sites que eram vendidos por mil reais. E eu ganhava quatrocentos. Por que ensinar se eu posso fazer?

Abri uma agência de comunicação visual com um amigo do jiu-jitsu. Vendíamos sites, logotipos, camisas — tudo que era design. Nosso pitch era a famosa frase do Bill Gates: "em dez anos existem dois tipos de empresa: as que estão na internet e as que faliram."

Funcionou. Até parar de funcionar.

A primeira vez que eu desisti

Veio 2010, 2011. Os smartphones chegaram. A internet se popularizou. E aconteceu o oposto do que a gente esperava.

O João da padaria não tinha site. E a vida dele estava funcionando normalmente. As pessoas começaram a questionar: "preciso mesmo de site?" A demanda caiu. E eu me frustrei.

Decidi que não trabalharia mais com internet. "Só vou usar computador pra MSN e Orkut." Pronto. Acabou.

Fui vender carro. E me saí bem. Ganhava dinheiro. Estava tranquilo.

Até que meu gerente me chamou num canto.

A frase que mudou tudo

Ele falou: "Você é moleque inteligente. Fala inglês, fala espanhol, mexe com computador. Vai ficar vendendo Palio e Gol pro resto da vida?"

Eu falei: "Mas tô ganhando dinheiro..."

Ele respondeu: "Tá ganhando dinheiro. Mas o que vai falar pro teu neto? Que vendeu Palio? Faz alguma coisa que preste na tua vida."

Depois dessa conversa eu nunca mais vi trabalho e dinheiro da mesma forma. Uma semana depois eu pedi demissão e voltei a trabalhar com tecnologia.

Filha chegando e sem opção

Me mudei pra Saquarema — cidade praieira, pequena, poucas oportunidades. E minha mulher ficou grávida.

Não tinha opção. Eu tinha que fazer dinheiro na internet. Comprei um computador e comecei a trabalhar como freelancer criando sites.

Quando minha filha nasceu, não conseguia me concentrar. Voltei a dar aula — fui pra Microlins. Dois meses depois, surgiu a oportunidade de comprar a unidade da escola. Sem dinheiro, claro. Paguei com trabalho e uma entrada emprestada.

Fiquei dois anos como dono. O primeiro ano foi só escola. No segundo, já mesclava com consultorias de SEO e marketing. A escola não se sustentou. Fechei e voltei pro Rio focado cem por cento no online.

O SEO sempre foi o diferencial

Desde o começo, meu site era diferente dos outros: ele aparecia no Google. Enquanto as agências só vendiam design bonito, eu vendia resultado. Isso sempre foi o que me separou.

Em 2015, abri um canal no YouTube. Comecei a ensinar abertamente o que eu fazia. Falava sobre PBN, link building, técnicas que ninguém no Brasil tocava no assunto. Com profundidade.

Me tornei top 1-2-3 no Google pra "consultor SEO". Fui citado no Afiliados Brasil como melhor profissional de SEO do Brasil. Indicado três anos consecutivos ao prêmio.

77271639_10157955002372376_3677435888863805440_n.jpgEm 2018, fundei uma empresa de backlinks. Demanda reprimida enorme — agências precisavam e não tinham onde conseguir. Deu muito certo. Ganhei muita grana.

A segunda vez que eu desisti

Depois de um ano, atingi tudo que queria. Top nos rankings. Dinheiro entrando. Reconhecimento.

E fiquei vazio.

"Não vou mais trabalhar com SEO. Vou sair do Brasil."

Fui pra Europa. Barcelona, França, Inglaterra, Ucrânia, Polônia. Rodando. Pensando em fazer outra coisa. Fitness, talvez. Qualquer coisa menos SEO.

6a6baa90-9571-47bb-85c8-32df73c71255.JPEG## Chiang Mai: onde minha régua quebrou

Eu já conhecia vagamente uma comunidade de SEO em Chiang Mai, na Tailândia. Fundada pelo Daryl Rosser, um inglês que trabalhava com sites e se estabeleceu no sudeste asiático.

Em 2019, como eu já estava na Europa, pensei: por que não ir lá?

Fui pro Chiang Mai SEO Conference.

Seo conference 2019 2.JPEGQuando cheguei, levei um tapa na cara. O que eu achava que eu sabia, não era nada. Minha régua estava baixa demais. Eu me comparava com o que existia no Brasil. Fora do Brasil, o jogo era completamente diferente.

Vi formas de monetização que não se falava no Brasil. Estratégias. Técnicas. Negócios. Coisas inimagináveis.

Fiquei seis meses. Fiz amizades. Me conectei. E falei: vou morar aqui.

Pandemia, Amazon e a volta

Fui pra Bali, depois voltei pro Brasil visitar a família. Era fevereiro de 2020. A pandemia estourou. Fiquei preso.

Já que ia ficar, trouxe algo que não existia no Brasil: o conceito de sites de afiliados da Amazon. Melhores geladeiras, melhores notebooks — esse tipo de conteúdo não existia no YouTube nem em blog brasileiro. Fui o primeiro.

Em julho de 2021, as fronteiras abriram. Entreguei minha casa, botei tudo em duas malas e voltei pra Chiang Mai. Dessa vez, em definitivo.

Cinco anos com os melhores do mundo

Me conectei à comunidade. Encontros semanais do CMSEO. Conheci todo mundo: Kyle Roof, Matt Diggity, Karl Kangur, Julian Goldie — os caras que eu via na internet viraram amigos pessoais.

Chiang Mai - SEO Halloween.JPEGChiang Mai - SEO Dinner.JPEGMatt Diggity me deu uma mentoria individual na casa dele. Sauna, banheira de gelo, e estratégia de negócio. Fui o primeiro a participar desse programa. O cara vendeu a Authority Builders por 17 milhões de dólares — era a pessoa perfeita pra me ajudar.

IMG_9525 (1).JPEGEm cinco anos na Tailândia, participei de todos os grandes eventos: CMSEO Conference (todas as edições), SOS Estônia, SOS Summit Vietnã.

Não foi curso. Não foi mentoria online. Foi viver no meio dos melhores SEOs do planeta, todo dia, por cinco anos.

E agora?

Voltei pro Brasil em 2025. Por motivos pessoais, decidi ficar em 2026. Estou aqui, perto da família, construindo.

Tudo que aprendi nesses 24 anos — dos doze anos com Fireworks até os cinco anos em Chiang Mai — está aqui. Neste site. Nas ferramentas. Nos produtos. No canal.

Eu não sou guru. Não vendo fórmula mágica. Eu sou o cara que começou com doze anos, desistiu duas vezes, e sempre voltou.

Se você está começando agora, se está frustrado, se está pensando em desistir: eu já estive aí. Duas vezes. E toda vez que eu voltei, voltei mais forte.

A diferença entre quem faz e quem não faz é uma decisão. Só uma.

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